#AbstractaStory Romina Bernal Romero: imigração e desenraizamento
Ela fez uma reconversão profissional para o setor de TI e migrou do Paraguai para o Uruguai em busca de um futuro melhor para si e para os filhos. Dois anos depois, com um emprego estável e um futuro promissor, está em um processo judicial para trazê-los para morar com ela no país que a acolheu.
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A história de Romina é dura. É preciso dizer isso sem rodeios, porque é inimaginável para quem cruza com ela hoje sem saber nada da sua vida. Positiva, quase vibrante, próspera e empreendedora são só algumas das palavras que definem esta jovem que passou por tanto e continua seguindo em frente.
Ela nasceu em Assunção, no Paraguai, mas mora no Uruguai há dois anos. Assim que a pandemia chegou, perdeu o emprego no seu país. Trabalhava no setor de turismo desde que entrou no mercado de trabalho, mas, com o fechamento das fronteiras do país, a agência em que trabalhava fechou as portas, assim como tantas outras empresas de turismo.
Mãe solo, com dois filhos pequenos para cuidar, viveu momentos de profunda incerteza e desorientação. Quando as fronteiras reabririam? Quando o turismo voltaria a funcionar? E quando ela poderia voltar a trabalhar com o que sabia fazer e o que lhe dava sustento? As perguntas não tinham fim.
Romina não era apaixonada pela carreira no turismo, mas era uma atividade que conhecia bem e que lhe permitia sustentar a casa. Prática e sonhadora ao mesmo tempo, já fazia tempo que buscava uma reconversão profissional para se sentir realizada, melhorar a sua situação econômica e oferecer mais possibilidades aos filhos.
Quando perdeu o emprego, estava começando a estudar testes de software à distância no Centro de Ensayos de Software (CES), que depende da Universidad de la República do Uruguai. Era difícil pagar, mas ela estava conseguindo. Tudo mudou com a pandemia: sem emprego, a sua realidade passou a ser a de uma mulher desempregada, com 2 filhos para sustentar e 1 curso internacional para pagar, o que era muito complexo, mas ao mesmo tempo lhe “prometia” um futuro melhor.
Por que ela escolheu testes de software? Na época, Romina namorava um uruguaio. Engenheiro de sistemas, ele via nela muitas qualidades necessárias para trabalhar no setor de TI e sugeriu que ela pesquisasse sobre testes. Ela começou a pesquisar o assunto e ficou muito curiosa. Surpreendentemente, o namorado tinha razão. Mas agora ela não sabia como continuar. Sentia os seus projetos e sonhos desmoronando, em plena pandemia, com um futuro totalmente incerto.
“Eu estava com muito medo. Não era o momento presente que me assustava, mas a incerteza. Era o pior momento para o turismo, e eu trabalhava nessa área desde os 18 anos. Não sabia como seguir em frente; foi uma época horrível.”
Um caminho sem volta¶
Esperar passivamente que tudo “se resolvesse” não era uma opção. E também não havia muito tempo para pensar. Ela precisava resolver a situação, mas sem perder o foco no longo prazo. Continuar com a reconversão profissional parecia a melhor alternativa naquele momento.
“Conversamos com o meu namorado, que hoje é o meu marido, e pensamos que buscar um emprego para mim no Uruguai poderia ser uma ótima oportunidade, já que o país é muito bom em tecnologia e é o primeiro exportador de software da América do Sul. O meu marido tinha a ideia de que o desemprego na área era inexistente e que faltavam pessoas, e isso nos animou”, contou Romina.

Ela estava decidida; não via futuro para si e para a família no Paraguai. Mas, ao mesmo tempo, partir para abrir um novo caminho significava se afastar dos filhos por tempo indefinido. “Eles ficaram com o pai. Foi muito difícil… Eles tinham 4 e 6 anos na época. Expliquei que eu estava viajando para buscar um futuro melhor e que fazia isso por eles. E eles arrumaram as malas comigo”, lembrou Romina, entre lágrimas.
Crise? Sim, mas também uma oportunidade¶
“A crise pode ser uma verdadeira bênção para qualquer pessoa, para qualquer nação. Porque toda crise traz progresso. A criatividade nasce da angústia, assim como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem a inventividade, as descobertas e as grandes estratégias. Quem supera a crise supera a si mesmo, sem ficar superado.”
Este famoso texto sobre a crise costuma ser atribuído a Albert Einstein, embora não seja possível dizer com certeza de onde vem. O seu sentido tem um significado profundo na vida de Romina. Embora sem dúvida preferisse não ter tido que sofrer, ela soube se apropriar de ferramentas para sempre continuar olhando para o longo prazo e seguir em frente.
“Eu não tinha nada garantido quando parti, mas via uma faísca de luz no fim do túnel. Não sabia quando veria os meus filhos de novo. Emigrar foi uma situação apocalíptica. Nem sei como descrever o que sentia. Eu avançava um segundo de cada vez e como podia, porque ficar ali sem emprego não era uma opção. Lembro de dizer aos meus filhos: ‘A mamãe vai estudar e arrumar um emprego. Vamos ficar juntos, vamos dar um jeito’”, lembrou.
Passo a passo¶
Romina tinha objetivos claros: terminar o curso de testes e conseguir documentos e um emprego. A data de 14 de setembro de 2020 está gravada na sua memória. Naquele dia, ela pegou o primeiro voo comercial entre o Paraguai e o Uruguai. “Havia um passageiro por fileira. Viajei de luvas, máscara e protetor facial, e a tripulação usava roupas que pareciam de astronauta. O aeroporto estava vazio. Era surreal, desolador. Mas ainda mais porque eu estava indo para um mundo desconhecido, sem os meus filhos.”

Em dezembro, terminou o curso de testes, enviou currículos e leu sobre testes de software. Foi em Parque del Plata, uma cidade litorânea do departamento de Canelones, que ela leu o livro “Introducción a las Pruebas de Sistemas de Información”, de Federico Toledo, COO da Abstracta.
Apenas um mês depois, em janeiro de 2021, conseguiu um emprego como tester. Ela se esforçou muito e, aos poucos, alcançou a tão esperada estabilidade. No fim de 2021, ela e o marido reformaram uma casa que ele herdou em Montevidéu, e tudo começou a tomar forma. Com um emprego estável e tudo o que precisava para seguir em frente, Romina entrou formalmente com uma ação para obter a guarda dos filhos e a autorização para que morem fora do seu país.
Por que você recorreu à via judicial?¶
Porque é necessário para que eles possam viajar ao Paraguai sem problemas no futuro, mas sobretudo para deixar tudo claro com o pai, com quem eles moram desde então. Falo com os meus filhos por telefone três vezes por semana, não por boa vontade dele, mas porque consegui uma decisão judicial para isso. Mesmo à distância, sofri violência psicológica da parte dele.
De que forma?¶
Eu me separei em 2018; foi assim que consegui cortar uma relação tóxica. Ele vem de uma família muito católica, mas, sem praticar um catolicismo verdadeiro, nunca me respeitou de fato. Para deixar claro: quando o nosso primeiro bebê nasceu, na primeira noite, ele foi dormir na casa da mãe para descansar. Eu não tinha voz nas questões dos meus próprios filhos; ele e a mãe dele decidiam tudo. Quando decidi me separar, começou a violência psicológica: ele me manipulava, me perseguia de carro e pegava as chaves do meu carro. Com palavras e esse tipo de atitude, ele só me deixava voltar para casa se fôssemos juntos. É justamente por todo esse histórico que preciso fazer as coisas pela via legal.

O que aconteceu nesse sentido depois da sua partida?¶
Assinamos um documento em cartório em que expliquei que não estava abandonando os meus filhos, que era algo temporário. No entanto, quando enviei os documentos para trazê-los comigo, ele respondeu só 3 meses depois e com uma ação em que pedia que me tirassem o poder familiar e que me impusessem uma medida de afastamento dos meus filhos. Felizmente, a justiça respondeu que o pedido dele não tinha fundamento.
Depois pedi para poder ver os meus filhos durante o processo, que é de guarda e de autorização para morar no exterior, sem ter que implorar. Finalmente, em junho de 2022, o juiz decidiu que não posso tirar os meus filhos do Paraguai enquanto durar o processo, mas que tenho livre acesso para vê-los lá. Naquele momento, eu estava começando a trabalhar como tester na Abstracta, líder mundial em testes de software, e ainda não estava efetivada!
Como você resolveu isso?¶
Conversei com o CEO da empresa, Matías Reina, para ver se havia alguma possibilidade de eu ir ao Paraguai ver os meus filhos e trabalhar temporariamente de lá. A resposta foi positiva na hora, e imediatamente começamos a buscar estratégias para que tudo funcionasse. Em julho, consegui viajar e passar um tempo com os meus filhos, com a certeza de que poderia voltar e vê-los sempre que houvesse possibilidade. Senti um alívio enorme.
Qual foi o impacto de começar a trabalhar na Abstracta na sua vida?¶
O apoio da Abstracta foi um pilar para mim no momento em que eu mais precisava. Saber que podia ir ao Paraguai por um mês e trabalhar sem arriscar a minha fonte de renda foi uma luz. Ter liberdade para falar dos seus problemas e receber ajuda para encontrar uma saída que beneficie a todos foi uma mudança drástica na minha vida. Junho e julho foram meses de aceitação da mudança. Consegui voltar a aproveitar a vida depois de tanto.
Trabalhar na Abstracta me faz sentir valiosa e que, apesar de tudo o que acontece, posso continuar realizando os meus sonhos. Que há desafios que transformam para melhor. Eu me sinto acompanhada. Costumo falar abertamente com os meus colegas e com a minha liderança sobre coisas da minha vida pessoal que nunca compartilhei em nenhum outro trabalho, sem falar que muitas pessoas se aproximaram para me dizer que eu podia contar com elas. Esse apoio dá liberdade e segurança.

Por que você quer tornar a sua história pública?
A minha emigração foi muito dura. Foi uma das coisas mais difíceis que decidi fazer na vida. Não me arrependo, mas emigrar está longe de ser um mar de rosas. Quero que isso seja conhecido porque tenho certeza de que muitos migrantes precisam saber. É normal passar por momentos difíceis ao migrar. Às vezes temos que tomar decisões difíceis, que podem envolver processos feios. Quero tornar tudo isso transparente porque acho que ajuda a normalizar, a entender que não é o fim do mundo, que há uma saída e que é importante saber se agarrar a ela.
Qual foi a sua?¶
Houve muitos marcos importantes no caminho, mas, sem dúvida, a Abstracta impactou a minha vida de uma forma bonita, porque, sem todo o bem-estar que a empresa me oferece, eu provavelmente ainda estaria em um ponto completamente diferente. Hoje aproveito a vida e tenho as ferramentas para lutar pelo que desejo.
Tudo de ruim que me aconteceu, no fim, abriu portas. O Paraguai tem uma cultura de trabalho muito exploradora, muitas vezes incompatível com o estudo e o desenvolvimento, especialmente para as mulheres. E muito menos com a maternidade.

Quais são os seus planos e sonhos para o futuro?
Estou fazendo dois cursos! Em julho de 2023 devo receber o diploma de programadora web pela Universidad ORT. Depois disso, a ideia é continuar por mais um ano para receber o título de Analista em Tecnologia da Informação. Ao mesmo tempo, faço uma graduação em Design Multimídia. Depois, adoraria revalidar disciplinas para terminar a graduação em Sistemas. No plano pessoal, todas as minhas energias estão focadas em trazer os meus filhos para morar comigo. O meu advogado diz que ainda pode faltar um ano e meio para o julgamento. Mas o processo está ficando angustiante.
Você está recebendo ajuda nesse caminho?¶
Estou sendo acompanhada pelo comitê de saúde mental da Asociación Española. Me parece que o mais responsável é buscar ajuda para aceitar. Assim o caminho fica um pouco mais suportável. Ter o apoio da Abstracta, poder conversar com os meus colegas, com a minha liderança e com a área de People Care também me ajuda muito. Em setembro consegui ver os meus filhos de novo, e isso está mudando o paradigma materno neles: puderam revalorizar o meu papel de mãe, tão desmerecido pelo pai. Hoje eles me veem de outra forma. Sinto que consegui alcançar aquela pequena faísca de luz que via ao longe e me agarrei a ela. Hoje, depois de tanto, volto a respirar. E sonho em voltar a morar com eles, levá-los à escola, cuidar deles. Estarmos juntos.
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