Na Abstracta, não somos mais três sócios: bem-vinda, Sofía Palamarchuk!
Se você lê o nosso blog, acompanha a Abstracta online ou conhece alguém de nós pessoalmente, provavelmente já ouviu falar da Sofía (a Sofi), a nossa US Chief Executive Officer e Chief Product Officer. Em janeiro de 2018, ela se tornou oficialmente sócia da Abstracta. Quisemos compartilhar a história da Abstracta e da Sofía para refletir sobre o quanto ela nos ajudou a avançar e celebrar o mais novo membro do nosso Conselho Executivo!
Índice
A história inspiradora de uma líder e empreendedora latina em tecnologia¶
A Abstracta começou com apenas três caras: eu, Fabian Baptista e Matias Reina (o que nunca poderia durar para sempre!). Como estudantes, em 2007, começamos a desenvolver aos poucos um produto para testes automatizados na plataforma de desenvolvimento de software GeneXus e, graças a vários acontecimentos da vida, acabamos montando a nossa própria empresa em agosto de 2008.

Naquela época, éramos colegas de turma; hoje somos grandes amigos que compartilham muitos valores e experiências. A nossa visão original era ser uma empresa de desenvolvimento de produtos ligados a testes de software. Essa ideia mudou, porque hoje não fazemos só isso: também oferecemos consultoria e capacitação em tudo o que tem a ver com qualidade de software. Além disso, ampliamos o nosso foco, mirando não só o Uruguai e a região, mas também os mercados mais competitivos, em especial o Vale do Silício, nos Estados Unidos. Isso fez a equipe crescer bastante, chegando a 80 pessoas. Até agora, embora o tema estivesse na mesa, a empresa ainda tinha só os três sócios iniciais. Agora, no nosso décimo ano, decidimos fazer uma mudança, então apresento a nossa nova sócia: Sofía Palamarchuk.

(Em breve nós quatro vamos nos reunir para uma foto, mas precisa ser uma ocasião especial que nos junte no mesmo lugar, já que hoje estamos espalhados entre Montevidéu, Salto e São Francisco.) Neste post, quero compartilhar a história da Sofi, entrelaçando a sua vida pessoal com a sua trajetória na empresa.
Esperamos que a história dela inspire outras mulheres na tecnologia, especialmente na América do Sul.
Quem é a Sofi?¶
A Sofi é uma pessoa que admiramos muito. Não faz muitos anos, ela começou na Abstracta como tester de desempenho e hoje é a nossa US CEO, baseada em São Francisco. No início de 2018, decidimos que ela vai se dedicar mais ao lançamento do Apptim, uma ferramenta de testes de desempenho mobile que desenvolvemos. A verdade é que ela conseguiu conquistar o seu lugar tanto na empresa quanto como nossa amiga.

Uma entrevista com a Sofi¶
A entrada na tecnologia¶
“Venho de uma família de classe média e fui criada em Montevidéu, no Uruguai. Estudei em escola pública até a terceira série, quando me ofereceram uma bolsa para uma escola particular de turno integral. Isso mudou a minha vida. Fiz nessa escola as minhas melhores amigas até hoje.
O meu plano de carreira sempre foi ser contadora ou economista. No primeiro ano de universidade, me matriculei na Faculdade de Ciências Econômicas e Administração e, ao mesmo tempo, na Faculdade de Engenharia. Logo depois de começar a disciplina “Programação 1”, que envolvia programar em Pascal, percebi que estava fascinada e larguei Economia. Sempre gostei de estudar e aprender coisas novas, mas aprender a programar era diferente, e gostei desde o começo. Me deixava muito feliz ver o resultado das minhas próprias ideias refletido em um programa com vida própria. Era mágico. As horas não importavam: eu programava à noite, de dia, nos fins de semana. Quando você gosta do que faz, não olha o relógio. Naquele momento eu já sabia que tinha encontrado algo de que gostava muito e uma ferramenta que poderia usar pelo resto da vida, então optei por Engenharia de Computação.
Aos 20 anos, me mudei para Dublin, na Irlanda, onde passei um ano. Desde o último ano do ensino médio, eu sabia que ia morar em outro país. Para quem não sabe, o Uruguai é um país bem pequeno, com uma população total de pouco mais de 3 milhões. Metade da população vive na capital, Montevidéu, então você tem a sensação de conhecer todo mundo. Passar um tempo fora era uma necessidade, algo dentro de mim dizia para sair, para conhecer o mundo. No segundo ano de universidade, senti a vontade de viajar se intensificar, então comecei a trabalhar e a juntar o dinheiro de que precisaria. Continuei indo à universidade, mas a minha principal motivação na época era viajar (seguida de programar, que eu adorava). O meu plano era ir para a Irlanda no ano seguinte. E finalmente consegui. Essa experiência marcou a minha vida.”
A Sofi chega à Abstracta¶
“Entrei na Abstracta em abril de 2013 como tester de desempenho. O Fabian e o Matias me entrevistaram; a primeira entrevista não foi técnica, simplesmente conversamos sobre a vida, e a segunda envolveu fazer um teste de lógica e depois resolver um problema de programação.
Eu tinha acabado de voltar da Irlanda, estava com a cabeça toda de dreads (37 dreadlocks!), era o que muita gente chamaria de “uma hippie”, e mesmo assim eles me contrataram. Incrível.
A minha carreira como tester de desempenho foi superintensa! Participei de vários projetos para empresas do Uruguai: BBVA, Ancap e ANII são só alguns. No início de 2014, comecei a fazer a transição para a equipe comercial, indo a reuniões com a nossa equipe no Uruguai.”
Do Uruguai ao Vale do Silício¶
“Aventurar-nos em negócios fora do Uruguai, pensando que o mar de startups de São Francisco teria interesse em fazer parceria conosco, foi algo com que todos concordamos. Eu já tinha morado fora (também já tinha estado em São Francisco), tinha um bom inglês e queria novos desafios. No primeiro semestre de 2014, me dediquei mais aos aspectos comerciais no Uruguai (acho que nem ajudei a trazer nenhum cliente novo, ops!), começando a pensar mais em como atrair clientes dos EUA.
Então, comecei a testar o terreno. Entrei em todos os sites de freelancers, enviei propostas, contatei todos os uruguaios que eu conhecia e que moravam nos EUA, contatei a embaixada e os consulados do Uruguai em diferentes cidades e até empresas no Uruguai que eram dos EUA; um pouco de tudo o que estava ao meu alcance e não exigia um grande investimento inicial.
Em setembro de 2014, começamos uma consultoria com uma equipe do Vale do Silício (graças ao apoio do FODIME, da Uruguay XXI). Em novembro de 2014, fiz a minha primeira viagem de trabalho sozinha. Lembro que estava muito nervosa. Aluguei um carro e dirigi na rodovia, o que, aliás, eu nunca tinha feito! E, por mais que já tivesse estado em São Francisco, não sabia nada do Vale do Silício. Lembro que cheguei ao aeroporto e tinha planejado ir direto para San Mateo encontrar um dos consultores, mas o GPS me mandou para o outro lado da baía. Depois de duas horas, finalmente conseguimos nos encontrar (foi aí que aprendi a grande diferença entre “avenue” e “street” nos EUA!).
Depois dessa viagem, os próximos passos foram montar um plano de marketing para 2015, para dar mais visibilidade ao que estávamos fazendo e nos posicionar no mercado local. Já estávamos procurando contratar alguém como a Kalei White (a nossa CMO atual). Depois de seis meses de busca, me reuni com ela, e ela começou a trabalhar conosco em março de 2015. Por outro lado, vi a necessidade de que um de nós se mudasse para o Vale do Silício; já sabíamos que, para atingir os nossos objetivos, precisávamos estar lá. Não há lugar como o Vale.
2015 foi um ano de mais eventos, reuniões e os nossos primeiros clientes diretos nos EUA (antes, já tínhamos trabalhado com empresas dos EUA por meio de outros parceiros). Em setembro, participamos do TechCrunch Disrupt com a Abstracta e o Monkop (hoje Apptim). Fechamos os nossos primeiros grandes clientes nos EUA em novembro de 2015, entre eles uma startup em estágio avançado de Redwood City que revolucionou o setor de saúde com a detecção não invasiva de doença arterial coronariana.
Em 2016, passei seis meses em São Francisco, participei pela primeira vez da O’Reilly Velocity Conference em junho (desde então vamos todos os anos) e, em março de 2017, me mudei de vez para São Francisco.”
Em 11 de janeiro de 2018, a Sofi entrou para o conselho da Abstracta.
De olho no futuro¶
“Para mim, foi uma transição natural e esperada, que deixou todos nós muito felizes. Para mim também, a relação entre nós mudou ao longo dos anos; há algum tempo sinto que faço parte da Abstracta e que a minha contribuição para a empresa vai além do que diz o meu cargo ou de qualquer responsabilidade que eu tenha tido em algum momento.
Passei por muitos papéis e sempre me senti à vontade e apoiada pelos fundadores. Desde que decidi expandir a empresa para os EUA, assumi um papel mais importante e, sempre que expressei a minha visão e as minhas opiniões, elas foram bem recebidas.
Quando chegou a hora de decidir se aceitava ou não a proposta de ser sócia, para mim estava tudo decidido havia muito tempo; era só uma questão de formalizar. Eu não teria ido morar em outro país nem assumido o desafio que assumi se não visse um futuro brilhante com esta empresa.
Assumir este novo papel me dá, por um lado, muita alegria, porque significa que os fundadores me valorizam na empresa e valorizam o que posso agregar daqui para a frente, e confirma que todos os desafios que assumi como meus ao longo desses anos valeram a pena. Sou grata por fazer parte de um grupo de pessoas que amo e com quem compartilho muitos valores; para mim, isso foi o mais importante na decisão. Também sinto isso como uma grande conquista pessoal e, como tudo, é uma grande responsabilidade, e hoje sinto que tenho as ferramentas e a capacidade para assumi-la e ajudar toda a equipe da Abstracta (e o nosso país, o Uruguai) a crescer.
Para mim, sucesso é todos sentirmos orgulho do que fazemos. Quero uma empresa em que as pessoas sejam criativas, produtivas e entusiasmadas com o seu trabalho. Quero que todos nós, juntos, alcancemos a mudança que queremos ver no mundo.
Quanto a como isso pode afetar a Abstracta, sendo a primeira mulher no conselho, acho que pode trazer mudanças, mas, na verdade, a Abstracta já vem apoiando várias mulheres. Não sou a única mulher na alta gestão, o que me ajuda a me sentir apoiada em algumas áreas. Posso agregar uma sensibilidade diferente a alguns temas e voltar a minha visão para um futuro que me motiva muito pessoalmente, em que possamos liderar a equipe e o país. Gostaria de, a partir do meu novo papel, motivar toda a equipe rumo ao nosso norte, mostrar que somos capazes e que todos saibam que o seu papel na equipe é importante e que queremos crescer juntos. Sinto que posso contribuir para uma visão mais clara, mostrar ao mundo a paixão pelo que fazemos, trabalhando com uma equipe de profissionais para alcançar o que nos propomos e ter o impacto social que buscamos como empresa. Morar no Vale do Silício me faz acreditar que posso de fato levar a empresa a ser uma referência na nossa área e a sermos agentes de mudança.
Como comentei na palestra anual da Abstracta em janeiro, quero que sejamos irresistíveis para o mundo.”
Quais são os próximos passos?¶
“Este ano chega com muitas mudanças na Abstracta, e várias me envolvem. Assumi um grande desafio novo, que me motiva muito. Quero continuar contribuindo em todas as áreas que puder e que todos alcancemos um impulso que nos torne imparáveis.
Por outro lado, ser uma “girl in tech” me motiva muito a ajudar e colaborar com organizações que incentivam mais meninas e jovens mulheres a seguir carreiras em STEM. Este ano espero dedicar mais tempo a essas atividades; participei do Girls in Tech em São Francisco e fui mentora em outros programas. Além disso, por ser uma latina na tecnologia no Vale do Silício (somos poucas), fui convidada para dar diferentes palestras. Este ano quero aproveitar mais oportunidades de compartilhar a minha história e motivar outras pessoas a abrir o seu caminho. Também gosto de apoiar outros empreendedores que estão trilhando um caminho parecido com o nosso e que querem levar as suas ideias ou empresas a outro nível, então vou continuar compartilhando a minha experiência e ajudando outras pessoas.
Acho que nós, uruguaios, precisamos colaborar muito mais entre nós. Podemos ser poucos, mas ficamos mais fortes quando nos unimos.”
Para encerrar¶
E é com muito orgulho que este trio de cofundadores e amigos dá agora as boas-vindas a Sofía Palamarchuk como a nossa quarta sócia. Temos certeza de que vamos tomar decisões melhores e de que o Conselho Executivo conta com o apoio de uma grande mulher, com muita garra e coragem para sonhar mais e melhor. Estamos felizes com tudo o que aconteceu e animados com tudo o que está por vir!
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