A história do WOPR por dentro

Como surgiu o Workshop on Performance and Reliability (WOPR)? Qual é a visão por trás dele? Descubra neste artigo com Eric Proegler e Paul Holland.

Por Natalie Rodgers

O WOPR continua trazendo contribuições significativas mesmo após 29 edições. A primeira foi realizada em Nova York em 2003. Desde então, o evento teve um grande impacto na comunidade mundial de testes e no setor de TI.

O evento já foi sediado por grandes empresas como Google, Microsoft, Facebook, Salesforce, eBay, BlazeMeter, entre outras, em diferentes locais dos EUA, do Canadá e da Europa. Na Abstracta, estamos muito felizes em sediar a 29ª edição do evento no Uruguai este ano.

O último workshop foi realizado em Marselha, na França, em 2019. O WOPR deste ano será o primeiro desde o início da pandemia. “Adiamos a realização de um WOPR durante os dois primeiros anos da pandemia. Agora que as pessoas estão novamente mais à vontade para viajar e se encontrar, é hora de os WOPRs voltarem”, disse Paul Holland, um dos organizadores.

“Ainda estamos convencidos de que o WOPR não pode ser virtual, porque a capacidade de troca na sala é uma das coisas que ajudam a criar a magia”, enfatizou Eric Proegler, outro organizador.

É uma honra para a Abstracta trazer o workshop à América Latina, especificamente ao Uruguai, e sediá-lo. Mas por que a América Latina é um bom lugar para realizá-lo depois de tanto tempo?

Eric respondeu assim: “Encontramos os parceiros certos no momento certo, pessoas que respeitamos e em quem confiamos. A globalização da TI não se resume aos custos de mão de obra; trata-se de encontrar profissionais talentosos e novas ideias em todos os lugares.”

“Há um excelente trabalho sendo realizado na América Latina, e me sinto honrado por termos sido convidados a vir a Montevidéu. O WOPR29 nos leva ao nosso quarto continente e oitavo país”, destacou Eric.

Neste artigo, vamos explorar a história, a visão e as motivações do workshop. Para isso, entrevistamos Eric Proegler e Paul Holland, alguns dos atuais organizadores e protagonistas do WOPR.

Organizadores do WOPR29
Eric Proegler
Paul Holland

– Como surgiu o WOPR? Quando e em que contexto?

Paul: No início de 2003, Ross Collard (consultor e professor de testes de software) entrou em contato com Scott Barber (um conhecido testador de desempenho) para iniciar uma conferência entre pares chamada WOPR, seguindo o modelo das conferências entre pares do LAWST.

LAWST é a sigla de Los Altos Workshop on Software Testing. O LAWST criou um conjunto de regras de facilitação para promover a troca de experiências, conversas e discussões que permitissem a participação igualitária de todos. A facilitação é um aspecto crucial dessas conferências entre pares, pois impede que uma pessoa domine a conversa e permite que as discussões sigam um fluxo lógico. James Bach facilitou o primeiro WOPR, realizado na cidade de Nova York em outubro de 2003.

Eric: A primeira vez que participei do WOPR foi em 2004, quando ele estava em sua 3ª edição (WOPR3). Eu estava no início da carreira e havia recebido a tarefa de aprender testes de desempenho. Tinha feito um curso de testes de desempenho com Ross Collard e fui convidado por ele a participar. Descobri que não fui o primeiro nem o último a receber uma indicação de Ross, mas aquele convite mudou minha carreira. Na época, o WOPR era conduzido por um grupo de consultores independentes de testes, e muitos participantes também eram consultores. Eles haviam criado o WOPR para compartilhar experiências e tomaram a incrível decisão, ainda relevante, de se concentrar em relatos de experiência. Eles facilitavam discussões sem limite de tempo. Essas discussões vieram do framework do LAWST, mas são a magia do WOPR.

No WOPR3, conheci Dawn Haynes, Cem Kaner, Rob Sabourin, Michael Kelly, Karen Johnson, Brett Pettichord e até o ilustre Richard Leeke! Todos eram consultores veteranos com muita experiência. Eu não conhecia a reputação deles na época, mas sabia que tinham muito a me ensinar. Havia várias outras pessoas muito inteligentes na sala, com quem também aprendi bastante.

Devido a um furacão na Flórida naquela semana, algumas pessoas chegaram atrasadas ou nem participaram. Paul Holland assumiu como facilitador e, essencialmente, criou ali a facilitação de conferências de workshops entre pares.

Da minha parte, fiquei ali com um caderno aberto e anotei cada termo ou tecnologia de que nunca tinha ouvido falar, para não me distrair enquanto ouvia aquelas pessoas brilhantes relatarem suas experiências e descreverem seus métodos.

– Quais eram seus objetivos com o WOPR no início?

Paul: Tornei-me organizador na 5ª edição (WOPR5), depois de ter começado a facilitar no WOPR3. Scott e Ross tinham visões muito diferentes para o WOPR. Acho que essa diferença acabou levando Scott a deixar o papel de organizador. Scott queria que o WOPR gerasse novos insights que tivessem impacto na área de testes de desempenho e publicasse artigos com essas descobertas. Ross queria criar uma comunidade de testadores de desempenho que pudessem compartilhar histórias e aprender muito uns com os outros, além de formar uma rede de pares. A visão de Ross foi a que se tornou a visão do WOPR. É essa visão que Eric Proegler, Andy Hohenner, Mais Tawfik Ashkar e eu ( Paul Holland) tentamos manter.

Eric: No início, eu só queria acompanhar. Depois de alguns WOPRs, fui convidado a ajudar na organização e fiquei feliz em aceitar. Retribuir a outras pessoas o que o WOPR significou para mim foi uma forte motivação. Naquele momento, eu queria que o WOPR continuasse sendo realizado duas vezes por ano, com uma vaga garantida para mim em troca dos meus esforços. Ainda considero isso um ótimo acordo.

– Isso mudou ao longo dos anos? Como?

Paul: Os primeiros WOPRs tiveram algumas dificuldades de crescimento. A diferença de visão provocou algumas discussões acaloradas durante a conferência. Essas questões foram resolvidas nos primeiros anos. Ross costumava enviar uma pesquisa após cada WOPR. Levávamos o feedback muito a sério e tentávamos resolver todas as preocupações.

A facilitação melhorou com o uso de K-cards, que permitem aos participantes indicar que têm uma pergunta ou um comentário. O fluxo de organização do workshop melhorou desde que Eric assumiu. Ele domina a organização como uma arte e garante que tudo esteja preparado para cada conferência. Em geral, as conferências continuam praticamente iguais, com pequenos ajustes para melhorias sutis quando necessário.

Eric: O perfil dos participantes passou a incluir menos consultores rabugentos e mais pessoas que trabalham em tempo integral na área. Tivemos acesso à lista de contatos de Ross durante os primeiros 20 WOPRs, aproximadamente. Desde então, nossas redes e as indicações boca a boca fizeram o evento avançar. Ainda conseguimos uma boa diversidade de participantes.

– O WOPR29 é um evento para poucas pessoas. Qual é a visão por trás disso?

Paul: Os grupos são pequenos porque a experiência mostrou que isso funciona. O menor WOPR teve apenas 12 pessoas. O maior teve 29 pessoas. O número ideal para uma conferência no estilo LAWST fica entre 15 e 22 pessoas. Com menos participantes, as discussões podem não atingir a profundidade desejada. Com mais, a facilitação tende a se desorganizar. A conferência com 29 pessoas teve participantes demais. Agora limitamos o número de participantes a 27.

Eric: Limitamos o número total de participantes e usamos um processo de inscrição para selecionar cuidadosamente quem participa. Isso cria as melhores condições para que aconteça a magia do WOPR (que é, mais ou menos, a magia do LAWST). Essa magia tem três ingredientes principais.

Primeiro, reunimos um grupo de profissionais experientes por meio de um processo de inscrição. Eles propõem a experiência que querem compartilhar no WOPR e descrevem sua experiência prática. Muitas vezes, já os conhecemos de conferências ou de outras ocasiões em que nos encontramos. Queremos escolher pessoas preparadas para participar e contribuir com uma conversa aprofundada sobre testes de desempenho e confiabilidade. Esperamos que sejam humildes, dispostas a expor o que sabem e o que não sabem, e que cheguem prontas para aprender umas com as outras. Pessoas que não se alinham a esses valores definitivamente não são convidadas a voltar e, quando conseguimos evitar, nem são convidadas inicialmente.

O segundo ingrediente são os relatos de experiência. Eles são preparados antes do encontro, mas refinados no local por um profissional experiente que conversa com outras pessoas que já compartilham boa parte do mesmo contexto. A pessoa que fala não apresenta conclusões generalizadas nem instruções ao grupo, como aconteceria em uma conferência típica.

As pessoas na sala conhecem a terminologia, as ferramentas, a história e os objetivos do tema. Conversamos sobre testes de desempenho com um grupo de pessoas que já criaram, executaram e produziram relatórios de testes de desempenho. Isso significa que a capacidade de troca de informações é extremamente alta.

O terceiro ingrediente é a discussão facilitada, às vezes chamada de Open Season. É um modelo de discussão organizado por tópicos, sem limite de tempo. Todos os participantes podem propor novos tópicos e responder a qualquer um deles, enquanto o facilitador organiza a sequência.

Esse modelo de facilitação ajuda a impedir que uma pessoa domine a conversa e garante que todos sejam ouvidos. Paul faz isso melhor do que qualquer pessoa no mundo e é convidado a facilitar muitos workshops e conferências em todo o mundo.

– Qual foi sua maior surpresa no WOPR até agora?

Paul: O fato de os WOPRs ainda serem realizados. Já houve mais WOPRs do que qualquer outra conferência entre pares no estilo LAWST. Estamos prestes a sediar a 29ª edição. Acho que o LAWST é o segundo mais bem-sucedido em número de encontros, com cerca de 18.

Eric: Pessoas que muitas vezes trabalham isoladas, em circunstâncias difíceis, continuam criando novas maneiras de fazer as coisas. Em cada WOPR, ouço falar de abordagens inovadoras e novas técnicas. É muito estimulante saber que há tanto espaço para novas ideias e abordagens em um assunto que algumas pessoas podem considerar árido.

– Quais são suas expectativas para o futuro do WOPR?

Paul Holland: Espero que continuemos realizando WOPRs, mas não tenho certeza sobre o futuro dos testes de desempenho como uma função específica nos testes de software. Recentemente, vi profissionais de várias outras funções realizando testes de desempenho. As ferramentas estão mais fáceis de aplicar e usar. Os resultados tendem a ser mais fáceis de avaliar com a adoção de microsserviços e computadores maiores e mais potentes. Mas provavelmente ainda há necessidade de testadores de desempenho e, enquanto isso for verdade, espero que o WOPR continue oferecendo aos profissionais um lugar para se encontrar e ter discussões relevantes com pares de todo o mundo.

Eric Proegler: Quero muito realizar um 30º WOPR em 2023, de preferência em Nova York, se pudermos, já que as edições 1ª, 10ª e 20ª aconteceram lá. Viena ainda está na minha lista por causa dos fornecedores de ferramentas sediados lá.

Sinto que os testes de desempenho voltaram a ganhar destaque, em certa medida, nos últimos anos, mas ainda tenho a impressão de que o trabalho com desempenho está mais ligado à observabilidade do que aos testes hoje em dia. Certamente não encontro tantas pessoas que se dedicam em tempo integral a essa especialidade como encontrava na década de 2010.

O desenvolvimento iterativo é o que mais impacta a área, por isso não surpreende que nosso tema, “Testes de desempenho iterativos”, esteja relacionado a ele. Mas as mudanças nas tecnologias de nuvem pública e de implantação de contêineres também tiveram um grande impacto na área. Hoje, nossos participantes chegam com cargos de DevOps e SRE. Talvez exploremos mais esses contextos modernos.

Não perca a Quality Sense Conf! Organizada pela Abstracta, ela abordará diversos temas de testes de software. O evento acontecerá logo após o WOPR29 em Montevidéu, no Uruguai, e você poderá aproveitar a oportunidade para conhecer pessoalmente muitos palestrantes do WOPR29 que também estarão lá. Inscreva-se aqui.

Leia mais artigos da nossa série “Testes de desempenho em profundidade” aqui.

Siga-nos no LinkedIn e Twitter para fazer parte da nossa comunidade!

Fique conectado

com a Abstracta

Notícias, artigos e recursos para construir software melhor.

Este site é protegido por reCAPTCHA e se aplicam a Política de Privacidade e os Termos de Serviço do Google.

Leia sobre nossa política de privacidade.

Ilustração de duas pessoas conectadas por uma ponte, uma com um notebook e outra com um tablet, representando colaboração e comunicação. Fim do artigo sobre wopr.